Nos primórdios tempos, muito antes de surgir um esboço de civilização, o homem vivia em cavernas e a solidão era uma coisa natural. Éramos animais praticamente irracionais. A sobrevivência era, por assim dizer, a única meta. A rotina desses nossos antepassados era simples, apesar de árdua. Caçar para não morrer de fome era uma atividade que tomava mais tempo do que copular— ou será melhor usar o termo estuprar?— para preservar a espécie. Depois de saciados é que sobrava algum espaço para pensar. Lógico que estes pensamentos eram toscos, mas foi assim que evoluímos e cá estamos milênios depois, aliviados de toda aquela vida selvagem, de toda aquela luta pela sobrevivência. Hoje pensamos demais porque a vida está mais fácil. Será? E o que dizer do número crescente de suicídios? Estatísticas comprovam que até meados do século XX as mulheres se suicidavam mais do que os homens. Agora, quase um século depois, os homens são os campeões nesta matéria. Ou seja, quanto mais fácil e prática se torna a vida, mais os homens desistem de vivê-la. Enquanto isso as mulheres descobriram o encanto de viver a vida livremente. Até aqui nenhuma novidade: sabemos que isto é um processo de inversão de valores que começou com a invenção da pílula anticoncepcional e a consequente liberação sexual experimentada nos anos 1960. Não era para os homens se desesperarem, mas é o que está acontecendo. Vejo, cada vez mais, homens acuados em seus lares; acorrentados a certa dominação velada imposta por suas esposas modernas. Mulheres economicamente ativas e sexualmente liberadas. Aparentemente leais e sabidamente infiéis. Penso que estas mulheres estão imbuídas de um inconsciente processo de vingança. Vingam-se dos seus maridos por tudo aquilo que suas mães, avós e bisavós sofreram enquanto cumpriam pena na prisão disfarçada de lar. Eram verdadeiras empregadas; cozinhando, lavando roupa, e cuidando dos filhos. E os homens eram senhores daquelas vaginas feudais; chefes da família porque eram eles que trabalhavam e ganhavam o dinheiro.
...
Bom, muito tempo passou depois da liberação sexual das mulheres, e da utópica filosofia hippie que pregava a paz e o amor. Hoje vivemos a tal inversão social-sexual, sem que os casais se deem conta disso. As mulheres já dominam diversos setores da sociedade e em pouco tempo estarão tão insensíveis quanto os homens o são. Alguns, mais espertos, entenderão que será necessário ocupar o espaço deixado pelas mulheres – e assim se tornaram mais sensíveis, e mais carinhosos, pois só assim sobreviverão ao caos social que está em curso. Depois de perderem seu espaço no mercado de trabalho terão de se adaptar à nova realidade ou serão escorraçados pelo sistema. Portanto, homens com um pingo de inteligência emocional escaparão desta condenação imposta pela evolução avassaladora da mulher.
Mulher forte; dona da casa, e não mais dona de casa. Restará aos homens ocupar este papel doméstico; cuidando dos filhos, arrumando a casa, cozinhando e sendo cozinhado. E o homem que insistir em não se adaptar será o HOMEM SÓ. Homem oco; sem vida, ou levando uma vida incerta e à deriva de tudo que a sociedade pode oferecer, ou impor. Este homem será o ermitão do século XXI.
Zeca Fonseca
Londres, 20-8-2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Homem ideal
Foi-se o tempo em que o macho se sobrepujava no grupo pela sua força física. A seleção da espécie humana se dava de maneira tosca, mas ainda assim fomos capazes de evoluir e atingimos o futuro que nada mais é do que o momento presente.
Muita coisa aconteceu ao ser humano entre o nosso antepassado selvagem e essa realidade virtual que vivemos hoje em dia. Muito se estudou, mas pouco se fala do que nos aguarda num futuro próximo. Penso que estamos todos lascados e que não haverá escapatória para a desgraça que está por vir. Não escrevo para fazer alarde e nem para criar polêmicas em torno do futuro incerto que nos aguarda. Até porque eu mesmo não sei o que vem por aí. Só sei que vem, e não vai ser mais uma dessas calamidades banais que já nos habituamos a ignorar.
Do mesmo eletrodoméstico recebemos notícias cada vez piores; imagens cada vez mais impactantes. Num momento assistimos as tragédias humanas embrulhadas em papel de presente. Logo depois, a nossa boa e velha televisão exibe filmes de ficção dos mais variados tipos e que, às vezes, nos levam a experimentar nossos sentimentos mais aprisionados. Ou seja, a realidade está ficando cada vez mais parecida com a ficção e não o contrário como seria normal acontecer. Choramos e rimos à custa das mentiras que nos são mostradas. E aprendemos a ficar indiferentes perante a realidade que nos é atirada, o tempo todo, pelas mídias cada vez mais velozes.
Tenho medo do que nos aguarda, mas vou fazer de conta que não sei de nada. Quero aproveitar o que resta dessa ignorância global para tocar a vida sem medo se ser feliz.
Escrever é o que eu gosto de fazer, mas, como já disse, quero aproveitar esse epílogo antes que finalmente tudo acabe. A sensação que fica é idêntica àquela que experimentamos quando despertamos de um sonho bom. Somos capazes de fazer de tudo para não sair de dentro do sonho. Vivemos culpados, mas sonhamos inocentemente. Eu sou parte integrante dessa sociedade que consome o planeta e depois finge que não tem culpa de nada.
Cagamos e andamos em bloco; somos todos partes integrantes de uma mesma tragédia anunciada dia após dia, e que teimamos em relevar. Somos mais cegos que os cegos, e mais vis que qualquer vilão de novela. Estamos condenados a chegar ao fim sem saber que ele está próximo.
Qual é o homem ideal?
É a mulher!
Os homens já perderam seus postos no trabalho e em casa, e não sabem o que fazer quando estão sem uma referência feminina. Os homens de hoje estão acuados dentro de cubículos de vergonha; sentem o sabor amargo do fracasso, sem saber que isso faz parte do final de um ciclo. Sai o homem e entra a mulher, mas não é assim tão simples. A equação é difícil: temos de um lado o homem perdendo sua função e de outro a mulher multiatarefada que acha que pode resolver tudo sozinha. Será que é por isso que atualmente as famílias se desfazem com maior rapidez?
Prefiro pensar que está havendo uma natural inversão de valores, e que dentro deste processo o homem irá adaptar-se sem sucumbir. O homem e a mulher sempre foram partes complementares de uma mesma coisa. Essa coisa nada mais é do que a própria raça humana. Portanto, se não cuidarmos da preservação do casal e, por conseguinte, da nossa própria espécie não conseguiremos cuidar do nosso planeta.
Zeca Fonseca
Niterói, 5-08-2011
Muita coisa aconteceu ao ser humano entre o nosso antepassado selvagem e essa realidade virtual que vivemos hoje em dia. Muito se estudou, mas pouco se fala do que nos aguarda num futuro próximo. Penso que estamos todos lascados e que não haverá escapatória para a desgraça que está por vir. Não escrevo para fazer alarde e nem para criar polêmicas em torno do futuro incerto que nos aguarda. Até porque eu mesmo não sei o que vem por aí. Só sei que vem, e não vai ser mais uma dessas calamidades banais que já nos habituamos a ignorar.
Do mesmo eletrodoméstico recebemos notícias cada vez piores; imagens cada vez mais impactantes. Num momento assistimos as tragédias humanas embrulhadas em papel de presente. Logo depois, a nossa boa e velha televisão exibe filmes de ficção dos mais variados tipos e que, às vezes, nos levam a experimentar nossos sentimentos mais aprisionados. Ou seja, a realidade está ficando cada vez mais parecida com a ficção e não o contrário como seria normal acontecer. Choramos e rimos à custa das mentiras que nos são mostradas. E aprendemos a ficar indiferentes perante a realidade que nos é atirada, o tempo todo, pelas mídias cada vez mais velozes.
Tenho medo do que nos aguarda, mas vou fazer de conta que não sei de nada. Quero aproveitar o que resta dessa ignorância global para tocar a vida sem medo se ser feliz.
Escrever é o que eu gosto de fazer, mas, como já disse, quero aproveitar esse epílogo antes que finalmente tudo acabe. A sensação que fica é idêntica àquela que experimentamos quando despertamos de um sonho bom. Somos capazes de fazer de tudo para não sair de dentro do sonho. Vivemos culpados, mas sonhamos inocentemente. Eu sou parte integrante dessa sociedade que consome o planeta e depois finge que não tem culpa de nada.
Cagamos e andamos em bloco; somos todos partes integrantes de uma mesma tragédia anunciada dia após dia, e que teimamos em relevar. Somos mais cegos que os cegos, e mais vis que qualquer vilão de novela. Estamos condenados a chegar ao fim sem saber que ele está próximo.
Qual é o homem ideal?
É a mulher!
Os homens já perderam seus postos no trabalho e em casa, e não sabem o que fazer quando estão sem uma referência feminina. Os homens de hoje estão acuados dentro de cubículos de vergonha; sentem o sabor amargo do fracasso, sem saber que isso faz parte do final de um ciclo. Sai o homem e entra a mulher, mas não é assim tão simples. A equação é difícil: temos de um lado o homem perdendo sua função e de outro a mulher multiatarefada que acha que pode resolver tudo sozinha. Será que é por isso que atualmente as famílias se desfazem com maior rapidez?
Prefiro pensar que está havendo uma natural inversão de valores, e que dentro deste processo o homem irá adaptar-se sem sucumbir. O homem e a mulher sempre foram partes complementares de uma mesma coisa. Essa coisa nada mais é do que a própria raça humana. Portanto, se não cuidarmos da preservação do casal e, por conseguinte, da nossa própria espécie não conseguiremos cuidar do nosso planeta.
Zeca Fonseca
Niterói, 5-08-2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Homem que é ômega chora!
A associação mais comum a alfa e ômega é a de princípio e fim. Alfa está no começo de tudo, e ômega tudo acompanha até o fim do mundo. O jesuíta Pierre Teilhard de Chardin tomou esta metáfora na sua apresentação do ômega como final da evolução humana, associado ao Alfa da criação. No cerne dessa questão está a visão filosófica, teológica e mística de Teilhard de Chardin a respeito da evolução de todo o Universo, do caos primordial até o despertar da consciência humana sobre a Terra, estágio esse que, segundo ele, será seguido por uma noogênese, a integração de todo o pensamento humano em uma única rede inteligente que acrescentará mais uma camada em volta da Terra: a noosfera, que recobrirá toda a biosfera terrestre. A orientar todo esse processo, existe uma força que age a partir de dentro da matéria, que orienta a evolução em direção a um ponto de convergência: o ponto ômega.
E este é o ponto que me interessa. Muito se fala em mulher-alfa e homem-ômega. Mas pouco se entende do que se tem escrito e falado sobre o assunto.
Nesta coluna vou expressar a minha visão particular sobre o propalado homem-ômega. Como já demonstrei, ômega é o fim. Fim de quê? Penso que seja o fim do homem forte, do chefe da prole, do sexo forte e de todos os clichês que se conferem ao homem que um dia foi o senhor do destino das coisas que estavam sob o seu jugo. Portanto homem-ômega é o fim de um ciclo que mantinha o homem numa espécie de pedestal. Homens de pedra, homens de ferro, homens corajosos prontos para defender sua prole ou sua terra. Em contrapartida, a mulher-alfa é o começo de uma nova postura da mulher no âmago da sociedade. Lembrem-se: alfa é o começo; ômega, o fim. Começo e fim se encontram no meio de tudo que fazemos, e dá um sentido ao nada que somos.
Quero ressaltar que o fim daquele homem está dando lugar a um novo homem; um ser consciente da igualdade de condições entre os sexos e que aceita esta transformação sem se sentir lesado, ou perdendo algo com esse fim. Os homens que não aceitarem este fato serão escorraçados da sociedade e terão de voltar para as cavernas de onde vieram seus antepassados. Só assim, se isolando e agonizando, esse homem antigo sobreviverá.
Aqui vai uma dica para os homens que desejam se adequar: homem que é ômega chora!
Zeca Fonseca (Niterói, 20-JUL-2011)
E este é o ponto que me interessa. Muito se fala em mulher-alfa e homem-ômega. Mas pouco se entende do que se tem escrito e falado sobre o assunto.
Nesta coluna vou expressar a minha visão particular sobre o propalado homem-ômega. Como já demonstrei, ômega é o fim. Fim de quê? Penso que seja o fim do homem forte, do chefe da prole, do sexo forte e de todos os clichês que se conferem ao homem que um dia foi o senhor do destino das coisas que estavam sob o seu jugo. Portanto homem-ômega é o fim de um ciclo que mantinha o homem numa espécie de pedestal. Homens de pedra, homens de ferro, homens corajosos prontos para defender sua prole ou sua terra. Em contrapartida, a mulher-alfa é o começo de uma nova postura da mulher no âmago da sociedade. Lembrem-se: alfa é o começo; ômega, o fim. Começo e fim se encontram no meio de tudo que fazemos, e dá um sentido ao nada que somos.
Quero ressaltar que o fim daquele homem está dando lugar a um novo homem; um ser consciente da igualdade de condições entre os sexos e que aceita esta transformação sem se sentir lesado, ou perdendo algo com esse fim. Os homens que não aceitarem este fato serão escorraçados da sociedade e terão de voltar para as cavernas de onde vieram seus antepassados. Só assim, se isolando e agonizando, esse homem antigo sobreviverá.
Aqui vai uma dica para os homens que desejam se adequar: homem que é ômega chora!
Zeca Fonseca (Niterói, 20-JUL-2011)
domingo, 8 de maio de 2011
Aviso aos Navegantes
Sobre o texto "Império dos Bundas Moles" que postei aqui na semana passada.Eu não tenho nada contra o cineasta e escritor Arnaldo Jabor. Ele é inclusive amigo de minha família, e sua filha também é querida por todos. O fato de eu ter escrito um texto em oposição à crônica intitulada "Bunda Dura" de autoria atribuída ao Jabor, não quer dizer que não goste da pessoa inteligente e admirável que ele é. Gosto, mas meter o pau e criar polêmicas não é um monopólio dele. Muito pelo contrário: pensem que talvez eu esteja, por admirá-lo, seguindo sua trilha e metendo o pau também. E, conhecedor da capacidade intectual do amigo Arnaldo Jabor, tenho certeza de que não ficará nem um pingo incomodado com meu texto, se é que leu! Pois saberá que não há nada de pessoal nisso.
Zeca Fonseca
Zeca Fonseca
domingo, 24 de abril de 2011
Império dos bundas moles, ou NUNCA É TARDE PRA RESPONDER AO JABOR.
Só hoje, mais de três anos depois de ser escrito, eu li uma crônica do Arnaldo Jabor com data de 2007, chamado "Bundas duras". Nós temos amigos em comum, mas sinto uma aversão incomum ao modo prepotente e presunçoso de ser do cronista ao escrever sobre o cotidiano da gente. Geralmente ele fala de assuntos que enaltecem os pouco enaltecidos como, por exemplo, as mulheres feias e descuidadas. Tenho certeza de que o seu egocentrismo o impede de entender estas palavras, já que ele, Jabor, se acha o suprassumo da intelligentzia nacional. Quiçá mundial; seu ego é profundo. Vejam seu último filme e entenderão o que eu quero dizer.
O fato é que mais uma vez fiquei indignado com o machismo ultrapassado de Arnaldo Jabor. Enquanto ele vai achincalhando as mulheres que ficam bonitas graças a tratamentos ou qualquer coisa que seja com intuito de se embelezar; ao mesmo tempo vai apregoando que as mulheres legais são as que comem torresminhos inocentes em 'pés-sujos' de luxo, e não ligam para a própria aparência. Afinal pra quê serve um shampoo ou um desodorante íntimo? Essa mulheres do Jabor devem perder menos tempo na frente do espelho, mas em compensação ganham mais volume em suas barrigas flácidas como as bundas que carregam orgulhosas. Mulheres mal amadas por elas mesmas.
Eu, daqui da minha caverna, vou comendo a minha linda melancia todinha e disparando os caroços em machistas recalcados. Ah! E tira o olho da minha melancia. Vá se esbaldar com sua uva passa. Passa!
Zeca Fonseca
Niterói, abril de 2011
O fato é que mais uma vez fiquei indignado com o machismo ultrapassado de Arnaldo Jabor. Enquanto ele vai achincalhando as mulheres que ficam bonitas graças a tratamentos ou qualquer coisa que seja com intuito de se embelezar; ao mesmo tempo vai apregoando que as mulheres legais são as que comem torresminhos inocentes em 'pés-sujos' de luxo, e não ligam para a própria aparência. Afinal pra quê serve um shampoo ou um desodorante íntimo? Essa mulheres do Jabor devem perder menos tempo na frente do espelho, mas em compensação ganham mais volume em suas barrigas flácidas como as bundas que carregam orgulhosas. Mulheres mal amadas por elas mesmas.
Eu, daqui da minha caverna, vou comendo a minha linda melancia todinha e disparando os caroços em machistas recalcados. Ah! E tira o olho da minha melancia. Vá se esbaldar com sua uva passa. Passa!
Zeca Fonseca
Niterói, abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
PROFISSÃO: ADVOGADO
Os advogados são os verdadeiros representantes do capital ou do poder gerado por ele, o dinheiro farto. Eles, os advogados, defendem com unhas e dentes (mas conseguem estar sempre impecáveis, alguns brilham como os brilhantes)o capitalismo e todos os seus tentáculos. Não podemos esquecer que existem os advogados públicos, inofensivos para quem é honesto, são os procuradores que defendem os interesses dos governos, e indiretamente o direito e o bom senso que irá no final das contas, se realmente se fizesse justiça sempre, beneficiar a todos os cidadãos de bem que podemos também denominar CONTRIBUINTES de um sistema na qual acreditam).
Vamos lá. Uns advogados são maravilhosos, e com suas posturas honradas agregam a boa fama que a profissão carrega ao longo de décadas. Contudo não podemos deixar de levar em consideração os maus advogados que defendem o capital do mal. Grana suja que precisa ser protegida, maquiada, do que restou de honestidade nas máquinas governamentais e em suas esferas municipal, estadual e federal.
Será que existe advogado defendendo os cidadãos que tem pouco capital, ou advogado é uma espécie de jóia de boutique que só pode ter quem tem muito?
Precisamos pensar e repensar a sociedade de um modo global, mas só poderemos fazer isso entendendo as diversas camadas que compõem a cagada empedrada que nos engessa a todos. Pensem!
Zeca Fonseca
Niterói,19 de março de 2011
Vamos lá. Uns advogados são maravilhosos, e com suas posturas honradas agregam a boa fama que a profissão carrega ao longo de décadas. Contudo não podemos deixar de levar em consideração os maus advogados que defendem o capital do mal. Grana suja que precisa ser protegida, maquiada, do que restou de honestidade nas máquinas governamentais e em suas esferas municipal, estadual e federal.
Será que existe advogado defendendo os cidadãos que tem pouco capital, ou advogado é uma espécie de jóia de boutique que só pode ter quem tem muito?
Precisamos pensar e repensar a sociedade de um modo global, mas só poderemos fazer isso entendendo as diversas camadas que compõem a cagada empedrada que nos engessa a todos. Pensem!
Zeca Fonseca
Niterói,19 de março de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Hoje poupei a vida de uma barata!
Estava andando na rua.
Feliz apesar de todas as atrocidades que são desferidas contra a gente todos os dias e embaladas com o título de informação. Acho uma tremenda invasão a integridade sentimental do ser humano o modo virulento como os meios de comunicação exploram os fatos anormais. Vivemos todos uma dor globalizada; um sentimento de perda, mesmo sem ter perdido nada.
O dia estava ensolarado, e protegia meus olhos olhando mais para baixo que o normal. Num dado momento meu computador de bordo detectou, de acordo com o sincronismo de meus passos, que iria pisar em cheio em uma barata cascuda e aparentemente grávida de dezenas de baratinhas. Normalmente eu apertaria o passo para me certificar que estaria esmagando uma senhora matriz de inseto tão repugnante e malévolo. Mas hoje, não sei porque, eu fiz o possível para poupar a breve vida daquela barata. Não sei o que deu em mim. Eu salvei a vida dela e de seus futuros filhotinhos nojentos. Onde eu estava com a cabeça?
Bem. Tudo bem! As baratas sempre estiveram aqui na Terra.
Que vivam as baratas e os baratos! Mas só por hoje, porque amanhã voltarei a ser um serial killer de baratas urbanas.
Zeca Fonseca
Niterói, 8 de abril de 2011
Feliz apesar de todas as atrocidades que são desferidas contra a gente todos os dias e embaladas com o título de informação. Acho uma tremenda invasão a integridade sentimental do ser humano o modo virulento como os meios de comunicação exploram os fatos anormais. Vivemos todos uma dor globalizada; um sentimento de perda, mesmo sem ter perdido nada.
O dia estava ensolarado, e protegia meus olhos olhando mais para baixo que o normal. Num dado momento meu computador de bordo detectou, de acordo com o sincronismo de meus passos, que iria pisar em cheio em uma barata cascuda e aparentemente grávida de dezenas de baratinhas. Normalmente eu apertaria o passo para me certificar que estaria esmagando uma senhora matriz de inseto tão repugnante e malévolo. Mas hoje, não sei porque, eu fiz o possível para poupar a breve vida daquela barata. Não sei o que deu em mim. Eu salvei a vida dela e de seus futuros filhotinhos nojentos. Onde eu estava com a cabeça?
Bem. Tudo bem! As baratas sempre estiveram aqui na Terra.
Que vivam as baratas e os baratos! Mas só por hoje, porque amanhã voltarei a ser um serial killer de baratas urbanas.
Zeca Fonseca
Niterói, 8 de abril de 2011
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