terça-feira, 3 de abril de 2012
Trecho extraído da pág 332 de "Pandemonium" Ed. Faces
"Devemos estar em algum grau avançado de carência afetiva, onde nada resolve o nosso problema. E o pior de tudo é que pensamos já ter esgotado todas as alternativas de sermos felizes."
domingo, 1 de abril de 2012
Frase da hora
A realidade é como uma onda grande e insurfável, e eu apenas um humilde surfista tentando entrar na real. (março 2012)
Caminhoneiro versus sociedade
O Brasil não tem uma malha ferroviária que dê conta da produção anual de grãos do sul do país, por exemplo. Daí a importância cada vez maior de conservarmos as rodovias interestaduais que temos. Os caminhoneiros são as formiguinhas da sociedade; são eles que enfrentam as mais variadas intempéries para levar a carga ao seu destino – muitas vezes incerto. Eles cuidam de faturar seu ganha-pão de modo honesto, só não percebem que carregam o lixo ainda antes de virar lixo propriamente dito.
Eles, os heróicos caminhoneiros, são os emissários da merda que depois teremos de carregar para lixões a céu aberto, que com sorte terá ou não algum tipo de reciclagem desse mesmo lixo, e posterior tratamento. Esses pobres coitados, uma parcela razoável dos motoristas em atividade, que muitas vezes não dormem em cama e passam a noite dirigindo sob efeito de anfetaminas de procedência ignorada, vulgarmente chamada de rebite. Fiz uma pesquisa pessoal; e o resultado é que mais de 10% dos motoristas que transportam cargas pelas rodovias fazem uso dessas drogas para conseguirem cumprir as metas que vão proporcionar certo lucro para eles, claro que a maior parte do lucro é do atravessador. Atravessador é o intermediário entre o produtor e o consumidor, via alguma cadeia de pontos de venda. Em última análise é o capitalista; o investidor que vai apostar sua grana numa carga para depois aferir lucros compensadores nalgum mercado específico.
Ou seja, estamos em casa esperando nossos produtos chegarem e sequer imaginamos como é que isso se sucede. Não estou aqui fazendo nenhum tipo de reclamação com as transportadoras. Acredito que elas se esforcem para selecionar os melhores motoristas; o problema é que quem conduz esses caminhões de última geração, ou aquele buzum velho e sem licença para rodar e cheio de trabalhadores voltando de uma colheita no campo, não é a mesma pessoa.
A maioria da mão de obra é viciada ou preguiçosa, ou de alguma forma eles trabalham o que pensam que é justo para o pouco que recebem. Sei lá, sou apenas um especulador nesse tema.
A sociedade capitalista vive um impasse no Brasil. Ou os empresários abrem mão de uma fatia dos lucros em prol dos trabalhadores, ou chegaremos a um colapso em nossas indústrias, nas fábricas, e no campo também. A aposentadoria é a questão crucial; não existe dinheiro para todos. Muito velho vai morrer fodido nesses próximos anos.
Zeca Fonseca
Petrópolis, fev. de 2012
Eles, os heróicos caminhoneiros, são os emissários da merda que depois teremos de carregar para lixões a céu aberto, que com sorte terá ou não algum tipo de reciclagem desse mesmo lixo, e posterior tratamento. Esses pobres coitados, uma parcela razoável dos motoristas em atividade, que muitas vezes não dormem em cama e passam a noite dirigindo sob efeito de anfetaminas de procedência ignorada, vulgarmente chamada de rebite. Fiz uma pesquisa pessoal; e o resultado é que mais de 10% dos motoristas que transportam cargas pelas rodovias fazem uso dessas drogas para conseguirem cumprir as metas que vão proporcionar certo lucro para eles, claro que a maior parte do lucro é do atravessador. Atravessador é o intermediário entre o produtor e o consumidor, via alguma cadeia de pontos de venda. Em última análise é o capitalista; o investidor que vai apostar sua grana numa carga para depois aferir lucros compensadores nalgum mercado específico.
Ou seja, estamos em casa esperando nossos produtos chegarem e sequer imaginamos como é que isso se sucede. Não estou aqui fazendo nenhum tipo de reclamação com as transportadoras. Acredito que elas se esforcem para selecionar os melhores motoristas; o problema é que quem conduz esses caminhões de última geração, ou aquele buzum velho e sem licença para rodar e cheio de trabalhadores voltando de uma colheita no campo, não é a mesma pessoa.
A maioria da mão de obra é viciada ou preguiçosa, ou de alguma forma eles trabalham o que pensam que é justo para o pouco que recebem. Sei lá, sou apenas um especulador nesse tema.
A sociedade capitalista vive um impasse no Brasil. Ou os empresários abrem mão de uma fatia dos lucros em prol dos trabalhadores, ou chegaremos a um colapso em nossas indústrias, nas fábricas, e no campo também. A aposentadoria é a questão crucial; não existe dinheiro para todos. Muito velho vai morrer fodido nesses próximos anos.
Zeca Fonseca
Petrópolis, fev. de 2012
Neném a bordo
Outro dia peguei um voo com três tenros seres humanos a bordo num daqueles aviões socialistas que não têm divisão de classe. Uma das mães desses bebês era muito nova e por isso totalmente despreparada; seu marido idem. Eu sentia dó e raiva!
Depois de quatro horas de choro, ou de voo, resolvi fazer alguma coisa. Na pior das hipóteses serviria para me esticar e fazer o sangue circular. Fui lá na frente, onde estava o jovem casal e me ofereci para pegar o neném no colo. Eles cochicharam; depois me olharam com desconfiança, mas sem falar nada, e então me entregaram o filho ainda chorando. Em poucos segundos no meu colo e o bebê estava mais calmo e não chorava mais. Levantei meus olhos do bebê para o resto do avião e senti um monte de olhares agradecidos na minha direção. Depois de uns minutos passei o filho para que a mãe o amamentasse. Isso os homens ainda não podem fazer, ao contrário das mulheres que tudo podem nos dias de hoje.
As mulheres são máquinas perfeitas para o trabalho, mas vieram com um defeito de fábrica – menstruam, e quando isso não acontece é pior ainda porque podem estar grávidas; o patrão fica sem a funcionária por uns seis meses no mínimo e por mais que disfarcem, eles, os patrões, nunca ficarão contentes com esta situação.
O mundo, a sociedade, os casamentos e as leis estão engessados. Nada vai mudar assim tão facilmente. Por isso não tenho nenhuma ideia para melhorar a vida da gente. Pelo visto será assim mesmo: uns dias bons outros nem tanto.
Minha proposta é para solucionar um problema antigo; os bebês incomodando os passageiros que não têm bebês. Minha ideia é adaptar alguns aviões exclusivamente para bebês. Em vez de aeromoça, seriam babymoças. Em vez de refeições, seriam servidas mamadeiras (duas rodadas, já que há sempre os mais famintos).
No caso de um bebê fazer cocô, um sensor ativará um sinal acima do assento, transformado em bercinho, que piscará sem parar até a babymoça atender àquele bebê encocozado.
O voo dos pais sairia um pouco depois, mas chegaria um pouco antes ao aeroporto de destino. O esquema seria montado para eliminar estresse da vida dos pais ricos. Sim, ricos porque este serviço custará uma pequena fortuna.
Fica aqui minha ideia, aproveitando que uma nova e ascendente parcela de brasileiros está começando a realizar longos voos.
Talvez essa ideia não seja rentável, e por isso inviável, mas meus ouvidos bem que agradeceriam um voo sem bebês a bordo.
Zeca Fonseca
Niterói, março de 2012
Depois de quatro horas de choro, ou de voo, resolvi fazer alguma coisa. Na pior das hipóteses serviria para me esticar e fazer o sangue circular. Fui lá na frente, onde estava o jovem casal e me ofereci para pegar o neném no colo. Eles cochicharam; depois me olharam com desconfiança, mas sem falar nada, e então me entregaram o filho ainda chorando. Em poucos segundos no meu colo e o bebê estava mais calmo e não chorava mais. Levantei meus olhos do bebê para o resto do avião e senti um monte de olhares agradecidos na minha direção. Depois de uns minutos passei o filho para que a mãe o amamentasse. Isso os homens ainda não podem fazer, ao contrário das mulheres que tudo podem nos dias de hoje.
As mulheres são máquinas perfeitas para o trabalho, mas vieram com um defeito de fábrica – menstruam, e quando isso não acontece é pior ainda porque podem estar grávidas; o patrão fica sem a funcionária por uns seis meses no mínimo e por mais que disfarcem, eles, os patrões, nunca ficarão contentes com esta situação.
O mundo, a sociedade, os casamentos e as leis estão engessados. Nada vai mudar assim tão facilmente. Por isso não tenho nenhuma ideia para melhorar a vida da gente. Pelo visto será assim mesmo: uns dias bons outros nem tanto.
Minha proposta é para solucionar um problema antigo; os bebês incomodando os passageiros que não têm bebês. Minha ideia é adaptar alguns aviões exclusivamente para bebês. Em vez de aeromoça, seriam babymoças. Em vez de refeições, seriam servidas mamadeiras (duas rodadas, já que há sempre os mais famintos).
No caso de um bebê fazer cocô, um sensor ativará um sinal acima do assento, transformado em bercinho, que piscará sem parar até a babymoça atender àquele bebê encocozado.
O voo dos pais sairia um pouco depois, mas chegaria um pouco antes ao aeroporto de destino. O esquema seria montado para eliminar estresse da vida dos pais ricos. Sim, ricos porque este serviço custará uma pequena fortuna.
Fica aqui minha ideia, aproveitando que uma nova e ascendente parcela de brasileiros está começando a realizar longos voos.
Talvez essa ideia não seja rentável, e por isso inviável, mas meus ouvidos bem que agradeceriam um voo sem bebês a bordo.
Zeca Fonseca
Niterói, março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Feminino x masculino 1
Noto que existem muitas mulheres preocupadas em viver uma "liberdade" que os homens tinham, e esquecem, neste processo, do compromisso universal de serem suaves e femininas. Feminilidade que não exala, ou será que ficou impossível de exalar. Onde estão as mulheres femininas? Devem estar acorrentadas em redomas revestidas de um cristral inquebrantável.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Vida de escritor 1
"O escritor pode passar a vida escrevendo sobre a vida que ele não viveu. O escritor pode até matar ou mesmo morrer, e depois jantar com a família (se tiver)."
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